domingo, 29 de novembro de 2009

Vermelho

Olha sua xícara cheia de café. Bem lá no fundo. Respostas? Cadê? Cachos, muitos cachos e embaraços. Cadê os lábios vermelhos pra pintar teu corpo?
Maldito! Maldito seja o dia em que a viu pela primeira vez! Maldito seja cada passo dado ao lado dela, cada troca de olhar.
Agora, olha a sua garrafa de uísque 20 anos, cheia até a metade. Levanta-se da poltrona em direção ao balcão, larga sua xícara de café e enche um copo com uísque. Vira tudo em dois goles. Cadê os lábios vermelhos para tingir os lábios teus?
Arranca a blusa de botões como se arrancasse um pedaço do coração, bagunça o cabelo curto como se fosse encontrar alguma resposta, algum sentido. Maldito seja o cabelo dela, que parece o sol brilhando num dia de verão.
Mais uísque, dessa vez com gelo. Vai ao banheiro e para na frente do espelho. O que vê são olhos vermelhos e vazios, barba mal feita sobre pele ressecada de decepção. Cadê os lábios vermelhos para dar vida à sua palidez?
Vai ao quarto e pega papel e caneta. Retorna à sala e olha a varanda. Décimo primeiro andar é uma boa altura. Rabisca algumas palavras no pedaço de papel enquanto fuma um Lucky Strike, e larga-o na estante da sala de estar.
Dirige-se à varanda, dá um impulso com o corpo e sente o vento contra seu rosto e todo o seu corpo. Sente sua aproximação do chão. Cadê os lábios vermelhos para juntar-se ao vermelho do sangue que tinge a calçada?

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Obsessão


Obsessão pra mim tem gosto de café com adoçante, cheiro de cigarro, cor de manhã quente e ensolarada, som de engarrafamento e cachos, muitos cachos. Obsessão pra mim seria assim (vide desenho, rs). Exatamente assim. Tentando levitar, equilibrando um cigarro aceso em uma mão e uma xícara com café em outra. sem roupas e sem rosto mesmo.
Posso sentir daqui o cheiro de café, cigarro e cachos que sai dela. E vai me corrompendo, e vai me consumindo aos poucos. Posso sentir daqui os cachos balançando, o café tentando derramar e a fumaça do cigarro invadindo o cheiro bom do cabelo.
Posso ouvir daqui o farfalhar dos cachos contra o vento, o barulho de carros e a tranquilidade do céu.
Posso sentir o gosto do café esfriando e do cigarro acabando.
Posso sentir um aperto no coração e uma vontade de vomitar.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Back to black (ou não)

Eba! Xandinho mudou o design do blog! Juro que agora vou voltar a escrever
Bgs no olho direito :D

quinta-feira, 9 de julho de 2009






















"A uma hora dessas

por onde estará seu pensamento
Terá os pés na terra
ou vento no cabelo?"

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Devaneios da moça-pássaro


Era naquela praça que ela ia toda tarde, sentava no mesmo banco, e lá ficava acompanhada do seu caderno, pra não escapar nenhuma idéia. Mas aquele objeto era na verdade, a maior confusão, assim como o interior dela, só a própria moça entendia. No colo, o caderno cheio de palavras desconexas e textos incompletos, sustentados por uma mente cheia de devaneios.
Anotava cada sonho, cada idéia, às vezes registrava através de desenhos, outras vezes, da forma que mais gostava: cantava.
Algumas pessoas passavam olhando estranho para a moça que vivia devaneando em meio à uma praça imunda. O que faz uma jovem tão bela e tão só, só com um caderno e caneta em mãos? Sonhava, voava. E sim, ela era uma jovem solitária, em todos os sentidos, viva no seu próprio mundinho, num mundo que ela criou. Não se importava com o que os outros pensavam ou falavam, pra dizer a verdade, nem ouvia. Só ouvia o canto dos pássaros e o som da viola que ecoava em seus ouvidos. Como eu sei disso tudo? Oh, perdão, esqueci de me apresentar. Prazer, sou a solidão, a única companhia da moça-pássaro.
Ela foi o ser mais intrigante que já conheci, e gostava da minha companhia, éramos boas amigas. Se chegasse alguém perto dela, a jovem enrubescia e eu me afastava, mas logo ela dava um jeito e alcançava-me novamente. Éramos inseparáveis.
Pois lembro-me bem da moça-pássaro como a jovem que chorava com o canto dos pássaros, e cantava com o choro da viola.

sábado, 20 de junho de 2009

Exagero (ou não)

Eu quero sempre algo a mais
Algo que me complete
Algo que me dê algum sentido
Que me faça ter vida
Algo novo
Ou até bossa velha

E nesse mundo
O que é dito
Que aqueles que contestam
São malditos
Amaldiçoada serei
por procurar algum sentido
em meio a humanos subversivos

Fábrica de complexos
Falta de amplexos
Cansei de sentimentalismo e prolixidade
Cansei desse lugar cheio de hipócritas
E só encontro algum sentido
em você
Só quero algo a mais
Preciso de algo a mais
Algo que me liberte desse universo
ou me prenda a ti

terça-feira, 26 de maio de 2009

Pedro


Foto: Pedrinho, minha lôra <3
Esse seu gosto de vodka e cigarro
Esse seu papo, esse seu faro
Pra encontrar alguém que não queira te largar
Apesar de todo o seu pigarro
Quando acaba de fumar
É fácil me conquistar

Conheço todos os seus passos
Reconheço seus traços
E sei todo o espaço
Que você pretende ocupar
Eu sei, você só tem medo de amar
E de mais uma vez quebrar... a sua cara

Só restou na estante
Vestígios dos seus maços
Que foram acabados naquele instante
E do que adianta se preocupar
Se você sabe que um dia tudo vai se acabar

Criei um altar
Pr’eu juntar
O seu all star
Com o meu