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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Obsessão


Obsessão pra mim tem gosto de café com adoçante, cheiro de cigarro, cor de manhã quente e ensolarada, som de engarrafamento e cachos, muitos cachos. Obsessão pra mim seria assim (vide desenho, rs). Exatamente assim. Tentando levitar, equilibrando um cigarro aceso em uma mão e uma xícara com café em outra. sem roupas e sem rosto mesmo.
Posso sentir daqui o cheiro de café, cigarro e cachos que sai dela. E vai me corrompendo, e vai me consumindo aos poucos. Posso sentir daqui os cachos balançando, o café tentando derramar e a fumaça do cigarro invadindo o cheiro bom do cabelo.
Posso ouvir daqui o farfalhar dos cachos contra o vento, o barulho de carros e a tranquilidade do céu.
Posso sentir o gosto do café esfriando e do cigarro acabando.
Posso sentir um aperto no coração e uma vontade de vomitar.

quinta-feira, 9 de julho de 2009






















"A uma hora dessas

por onde estará seu pensamento
Terá os pés na terra
ou vento no cabelo?"

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Devaneios da moça-pássaro


Era naquela praça que ela ia toda tarde, sentava no mesmo banco, e lá ficava acompanhada do seu caderno, pra não escapar nenhuma idéia. Mas aquele objeto era na verdade, a maior confusão, assim como o interior dela, só a própria moça entendia. No colo, o caderno cheio de palavras desconexas e textos incompletos, sustentados por uma mente cheia de devaneios.
Anotava cada sonho, cada idéia, às vezes registrava através de desenhos, outras vezes, da forma que mais gostava: cantava.
Algumas pessoas passavam olhando estranho para a moça que vivia devaneando em meio à uma praça imunda. O que faz uma jovem tão bela e tão só, só com um caderno e caneta em mãos? Sonhava, voava. E sim, ela era uma jovem solitária, em todos os sentidos, viva no seu próprio mundinho, num mundo que ela criou. Não se importava com o que os outros pensavam ou falavam, pra dizer a verdade, nem ouvia. Só ouvia o canto dos pássaros e o som da viola que ecoava em seus ouvidos. Como eu sei disso tudo? Oh, perdão, esqueci de me apresentar. Prazer, sou a solidão, a única companhia da moça-pássaro.
Ela foi o ser mais intrigante que já conheci, e gostava da minha companhia, éramos boas amigas. Se chegasse alguém perto dela, a jovem enrubescia e eu me afastava, mas logo ela dava um jeito e alcançava-me novamente. Éramos inseparáveis.
Pois lembro-me bem da moça-pássaro como a jovem que chorava com o canto dos pássaros, e cantava com o choro da viola.

domingo, 19 de abril de 2009

Um pouquinho de autismo


Há algum tempo, descobri que tenho dois corações. Um no peito, no seu (talvez) devido lugar e outro na cabeça. Parei pra analisar os dois órgãos e vi que o do peito estava despedaçado e que estava sendo difícil viver assim. O mesmo praticamente não pulsava, estava fraco e eu, morrendo. É bem difícl curá-lo, só, seria impossível preciso da ajuda de alguém.

Outro dia tentei acabar logo com o sofrimento do tal coração, mas ele pareceu reagir, e nunca pulsou com tanta velocidade e com tanta força em toda a minha vida. Ele foi tão forte dessa vez, que parecia querer fugir do meu corpo. Fez minhas pernas, minhas mãos e meu queixo tremerem, fez meu sangue escorrer e tentou escurecer minhas vistas. Me derrubou. Depois de algum (muito) tempo, ele voltou a bater normalmente, fraco, dolorido, devagar. Deixei ele lá, desisti de dar atenção a ele.

Já o outro coração, continua lá intacto na minha cabeça. Ainda não aprendi a usá-lo. Ele poderia ser um bom substituto. O tal coração no entanto, não serve pra nada, só me faz lembrar às vezes de sua existência com minhas dores de cabeça, e perceber que vivo isolada num mundinho só meu, um mundo de idéias desconexas e estúpidas, um mundo totalmente paroxal. E nesse mundo só existe eu, e voce nos meus pensamentos.